Quando a justiça vira ódio: Vavá foi enterrado sem o último beijo de Lula

Quando a justiça vira ódio: Vavá foi enterrado sem o último beijo de Lula

A negação do pedido do ex-presidente Lula para velar e enterrar o corpo do seu irmão é mais uma página triste da politização do poder judiciário brasileiro. Tal proibição contraria o artigo décimo da Lei de Execuções Penais. A única explicação cabível é que, nesse caso, trata-se de uma estratégia vexatória, incitada pelo ódio de classe que vem movendo parte do judiciário em torno da prisão do ex-presidente.

Não está em jogo agora a discussão de sua inocência, mas o cumprimento da lei, o que é obrigação das autoridades em qualquer regime democrático. É por isso que todas as estátuas que representam a justiça têm os olhos vendados: ela não pode julgar a pessoa, mas o caso, segundo a ordem vigente. Se está na lei, a decisão independe de seu beneficiário. O contrário é estado de exceção, uma afronta à democracia e às próprias instituições que deveriam se empenhar para seu pleno cumprimento.

A negação é um ato desleal com a democracia e desumano com o ex-presidente. Com ele, todos somos afetados, porque a negação do direito de um põe em xeque o cumprimento do direito de todos.

A medida, ao que parece, não tem outro objetivo a não ser fazer sofrer ainda mais aquele que perdeu um ente querido e colocar em prática a raivosa vingança daqueles que usam vendas, não para garantir o direito, mas para feri-lo mortalmente. Além do mais, o ato expõe para a sociedade o quanto desses processos foi levado a cabo como produto desse mesmo sentimento, que transformou a justiça em ódio.

Lula, com 70 anos, viveu há poucos anos a perda de sua esposa. Lula, com 70 anos, não vai fugir. Sua fuga, além de ferir a lei à qual ele tem se submetido exemplarmente, comprovaria sua culpa (e não sua inocência). Esse foi o dilema de Sócrates. Desde Antígona, todos nós sabemos que Lula precisa, como eu e você, enterrar o seu irmão.

As dez horas que a juíza levou para julgar o pedido, as desculpas esfarrapadas e a jogada final de Toffoli não foram suficientes para limpar a mácula que essa gente está colocando na justiça brasileira. A venda dos olhos está deposta. A justiça é seletiva. Orienta-se pelo ódio, não a Lula, mas ao que ele representa.

Tomara que haja a tal justiça divina, para saldar essa dívida dos juízes da terra, que continuam agindo como coronéis. “Só um Deus poderá nos salvar”, disse Heidegger. Amém.

Newsletter

Não perca o melhor do Coletivo Práxis

Posts Relacionados

Não é só antipetismo

Faço parte daqueles que preferiam o PT fora da corrida presidencial desse ano – movimentando-se em direção às bases, reaproximando-se dos movimentos sociais, efetuando uma profunda autocrítica, elegendo apenas seus…
Ler Mais